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Silêncio

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  No início, as palavras, As nossas e as dos poetas. Conchas abertas, promessas embaladas  no vaivém das ondas. Páginas em branco, desfolhadas na aridez intermitente das despedidas. Cartas cruzadas na travessia  recorrente das ausências. Barcos sem rumo, na imobilidade do cais. E no final, o silêncio.

Presença

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Passaram seis anos. Ou seis séculos. Tanto faz. O tempo que nos liga às nossas raízes não é linear como o que faz o dia suceder à noite que, por sua vez, traz em si já a promessa de um novo dia.  O tempo dos nossos afetos,  por vezes, segue no sentido inverso ao da luz do sol. Ou desafia o nosso equilíbrio em espirais debaixo dos pés. Tal como hoje,  Dia Mundial do Teatro, caíu o pano e fiquei sem chão. Passei a procurar-te em mim, em cada traço físico, ou da personalidade. Em cada viagem da memória que me transporta ao tempo em que me sentava no teu colo e tu cantavas "lá em cima está o tiro-liro-liro, cá em baixo está o tiro-liro-ló..." Hoje, quando olho no espelho já não é apenas o meu rosto, é também a ti que vejo. Estás lá. Em cada expressão mais subtil, em cada  ruga traiçoeira, em cada olhar mais insuspeito.  Para sempre, pai.